OU:
O PT VOMITA PORQUE ESTÁ COM MEDO, COMO O URUBU!
O PT apóia, sim, manifestações de rua.
Em Nova York!
O PT apóia, sim, o povo na praça. No Egito!
O PT apóia, sim, atos contra a corrupção. Na Bulgária! Ooops! Na Bulgária, não,
companheiro!
Chega a ser fascinante o que está em
curso. As várias marchas contra a corrupção país afora têm uma característica
comum: o baixo grau de partidarização. Não se vêem as bandeiras de sempre nem
se ouve aquela rima-clichê em “ido”: “O povo unido/ jamais será vencido”. Isso
se tornou marca registrada de quem tinha um projeto de poder, que está em plena
vigência. O petismo queria, em suma, isso que vemos hoje: corrupção,
impunidade, maracutaia, mas com o partido no comando. Os males antes a serem
vencidos se tornaram instrumentos da luta política. “Se a gente não os emprega,
os nossos adversários farão uso deles primeiro”, explicam. Essa é a
justificativa (i)moral de todo canalha.
Mas retomo o fio: os que marcham nem
sequer recorrem a palavras de ordem contra o PT. Ao contrário até: não deixa de
haver certo apelo governista nos protestos quando se exibem as vassouras, numa
alusão à faxina que a presidente Dilma Rousseff começou a fazer no governo.
Depois ela descobriu que era mais confortável esconder a sujeira debaixo do
tapete. Ou seja: a população apoiou a sua iniciativa. Ela é que decidiu não
mais levá-la, e se levar, a sério.
Se o PT nem mesmo é um dos alvos dos
protestos, por que, afinal de contas, os petistas e petralhas odeiam tanto as
manifestações e os manifestantes e dirigem, nas redes sociais, palavras
violentas, de baixo calão até, contra aqueles que se mobilizam? Não há outra
resposta possível: diante de uma marcha contra a corrupção, eles se sentem
discriminados, pessoalmente atingidos, ameaçados. Ou por outra: eles se
tornaram beneficiários da corrupção, da malversação do dinheiro público, da
roubalheira. Não me espanto que tenham chegado a tal ponto. Revelam a sua
natureza. Agem à moda dos urubus.
Até um ator do terceiro ou quarto
escalão da TV Globo, que vive de braços dados com notórios detratores da
emissora, um desclassificado que deve estar lá por conta de alguma cota
(partidária talvez), um mamador asqueroso de dinheiro público, até esse
vagabundo petralha decidiu atacar as marchas contra a corrupção. E, de quebra,
me xingou também porque, como é público e notório, apóio os protestos. Urubus
quando se sentem ameaçados vomitam e começam a soprar nervosamente. É o caso
desse asqueroso: sempre fazendo o trabalho de sopro. Um ladrão que vive de joelhos!
Ao se voltar contra os protestos,
especialmente nas redes sociais - já que não têm nem coragem moral nem física
para dar pinta da praça e combater gente decente cara a cara -, esses vadios
revelam qual era o seu anseio, o seu horizonte utópico, o seu ideal. Lembram-se
da expressão “um outro mundo possível”? Para eles, já chegou; é esse que está
aí. Eles eram contra homens que roubavam homens porque achavam que o certo
seria fazer o contrário…
Muita gente apostou que as convocações
de ontem não dariam em nada. Em Brasília, havia pelo menos 20 mil pessoas na
praça, que se mobilizaram para aquele fim (não houve público-carona de
qualquer outro evento). Em São Paulo, Rio e Goiânia, mas de 2 mil manifestantes
foram as ruas; centenas mandaram seu recado em muitas outras cidades. Como já
escrevi em outro texto, ignorem aqueles que tentam caracterizar os protestos
como manifestações de uma rebeldia sem causa, sem alvo, sem organização. Esses
não são defeitos, mas qualidades.
Em décadas, essa é a primeira
vez que UMA PARTE DO POVO DE VERDADE está saindo às ruas. Chamo de “povo de
verdade” o indivíduo, o homem-célula, o cidadão-em-si-mesmo, o
homem-sem-partido, o homem-sem-sindicato, o homem-sem-movimento-social, o
homem-sem-ONG, o homem-sem-chefe-político, o homem-sem-cabresto-ideológico, o
homem-sem-projeto-de-poder, o homem-sem-um-apedeuta-pra-chamar-de-seu. As
diretas-já e o impeachment de Collor foram importantes, sim, para o Brasil, mas
tinham uma marca ideológica muito clara e obedeciam a comandos partidários.
É por isso que os petistas e seus
porta-vozes ou amiguinhos na imprensa fazem pouco dos protestos. Na verdade,
eles os temem. Essas pessoas que se manifestam refletem a boa consciência
conservadora dos brasileiros. E não me refiro necessariamente àquele conservadorismo
ideológico; falo de um outro, de que o ideológico até pode ser uma expressão
política: a maioria das pessoas é decente, direita e luta para ganhar a vida
honestamente.
E isso, sem dúvida, embrulha o estômago
dos urubus. Os petistas e petralhas hostilizam as marchas contra a corrupção
porque não suportam a idéia de que o povo possa fazer algo por si mesmo sem
precisar pagar o caríssimo pedágio cobrado pelo PT - inclusive o pedágio
institucional.
E não se enganem. Os 30 mil nas ruas
são muitos milhões operando em suas respectivas casas, em seu trabalho, nas
escolas, na rede.
O PT vomita nos manifestantes porque
está com medo. Como o urubu.
Por
Reinaldo Azevedo