Quando para aqui mudei em definitivo, em 2003, cidade que já conhecia a mais de 20 anos, trouxe comigo uma bagagem intelectual e profissional adquirida em 35 anos de serviço público federal, acadêmica e por fim na Justiça Eleitoral.
Formado em Economia, pós-graduado em Planejamento Econômico, atuei na Fundação IBGE inicialmente na área de pesquisa e finalmente em Orçamentos e Planejamento de pesquisas.
No meio acadêmico como professor e Chefe de Departamento de Economia, tendo sido membro dos Conselhos de Pesquisa e Extensão, Superior Universitário e de Avaliação Institucional.
Já no final de meu tempo de serviço, fui para o TRE onde tive a oportunidade de chefiar um Cartório Eleitoral por 6 anos.
Não estou aqui para vangloriar e enaltecer os meus méritos, essas informações são para mostrar o meu interesse em colocar a disposição da cidade de maneira gratuita, diga-se de passagem, todo esse conhecimento adquirido após anos de serviços prestados ao nosso país.
Inicialmente me aproximei de um grupo ligado as Associações de Moradores, a FAMMPO, entidade que até hoje faço parte. Juntos, desenvolvemos um projeto chamado “Ética, Política e Cidadania”. Esse projeto tem como escopo levar à população as regras básicas dessas ciências.
Esses temas logo provocaram polêmica, pois, envolviam temas relacionados com compra de votos, prática infelizmente tão comum em cidades do interior.
Começamos a incomodar, surgiram perseguições, cancelamentos em cima da hora e até polícia chamada para impedir nossa atuação, como ocorreu no distrito de Conrado.
Durante esse tempo de atuação na FAMMPO, muitos, outrora, “bravos” defensores de suas associações, nos deixaram e trocaram a luta em defesa dos nossos ideais em troca de um “carguinho” na prefeitura ou um “empreguinho” de um parente próximo. Não é difícil imaginar que se transformaram em nossos ferrenhos opositores. Bando de canalhas vendidos!
Fui eleito em 2005, como representante dos usuários do SUS para o Conselho Municipal de Saúde. Entrei cheio de gás. Comecei a fazer visitas de surpresa aos postos de saúde de nosso município; verificar o seu funcionamento; fazer relatórios ao Conselho e NADA.... Quando cobrava ações de melhorias no atendimento, punições aos profissionais faltosos vinham sempre as mesmas desculpas: falta de recursos e os profissionais eram indicados por políticos e por isso nada poderia ser feito.
Todos esses fatos foram apresentados aos membros do Conselho de Saúde que, na sua maioria tiveram uma atitude omissa diante dos fatos. Por muitas vezes fui rotulado por um conselheiro “Zé arruela” de querer aparecer. Por vezes eu questionava “Que vocês estão fazendo aqui?”. “Só querem ser chamados de conselheiros?”.
No Conselho fui membro do Conselho Fiscal, onde muitas irregularidades apontadas pela CGU, já haviam sido detectadas e já eram do conhecimento dos conselheiros.
Tive a oportunidade de fazer parte da Comissão criada para elucidar as dúvidas encontradas na auditoria da SES para o Hospital Fundação. Esse trabalho gerou um relatório contundente que gerou um rebuliço geral que, gerou uma nova auditoria, dessa vez requisitada pelo Ministério Publico. Não conheço o resultado da mesma!
Em abril de 2008, entreguei os pontos, não havia como continuar lutando sozinho contra todos. Renunciei ao meu mandato, devo ter tido algum mérito no meu trabalho, pois, recebi uma Moção de Reconhecimento pelo meus serviços prestados a saúde do município outorgado pelo CMS.
Tudo o que foi escrito acima é para justificar o meu interesse em ver nossa cidade melhorar, não sou, nunca fui e nunca serei candidato a nenhum cargo eletivo.
Fico tremendamente irritado em morar em uma cidade totalmente esburacada, com obras paralisadas por incompetência de gestores, de ver fatos de suma importância como o Relatório da Fiscalização da CGU omitido pela mídia local que só se preocupam em estampar fotos do prefeito em suas primeiras páginas recebendo esse ou aquele político em nossa cidade.
Parece até que estamos na Venezuela ou no Irã, onde impera o fascismo e, as coisas ruins que ocorrem são omitidas da população isto é, simplesmente varridas para baixo do tapete!
Por tudo isso não me espantei com que vi, quando tive acesso ao Relatório TCU n° 01470.
Rogo a Deus por nossa cidade. E que todos nós nunca mais possamos ouvir um prefeito estufar o peito e dizer que é o maior empregador da cidade. Isso é o reconhecimento público que nosso município possui uma depauperada economia.
Paulo Edgar Melo.
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